Editorial

Estivemos ao longo de dois dias, concentrados em um importante evento para todos os profissionais que atuam no HVAC&R que é o ENTRAC – Encontro Tecnológico de Refrigeração e Ar Condicionado. Durante o evento, tivemos a oportunidade de falar da Metodologia BIM aplicada ao projeto e obras de aquecimento, ventilação e ar condicionado. O conceito de BIM é baseado em três pilares: Método, que é o modo usado para realizar alguma coisa; a Metodologia, que são regras ou normas estabelecidas para o desenvolvimento de uma pesquisa e a Ferramenta que é qualquer instrumento que se usa para realização de um trabalho.

“BIM” é o acrônimo dos termos em inglês denominados “Building Information Modeling ou Building Information Model” e acordo com a Norma NBR-15965-Parte1 sendo traduzido como: “Modelagem da Informação da Construção” (para se referir ao processo) ou ainda; “Modelo da Informação da Construção”, quando nos referimos ao conjunto de informações (bancos de dados) de uma edificação ou infraestrutura.

BIM é uma metodologia onde é possível criar digitalmente um ou mais modelos virtuais precisos de uma construção. Eles oferecem suporte ao projeto ao longo de suas fases, permitindo melhor análise e controle do que os processos manuais. Quando concluídos, esses modelos gerados por computador contêm geometria e dados precisos necessários para o apoio às atividades de construção, fabricação e aquisição por meio das quais a construção é realizada.

Um dos marcos históricos foi o decreto nº 9.377, de 17 de maio de 2018 que instituiu a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM (Building Information Modelling) e criou o Comitê Gestor da Estratégia BIM BR. A finalidade é promover um ambiente adequado ao investimento em BIM e sua difusão no país.

A importância para economia brasileira, sob a ótica do setor privado é muito grande uma vez que oferece vantagens como eficiência e produtividade, redução de riscos, detecção de conflitos, alto nível de customização, grande nível de flexibilidade e redução de desperdícios e de custos. No caso do setor público, apontamos ganhos como confiabilidade nas estimativas de custos e no cumprimento de prazos, redução de desperdícios e sustentabilidade, qualidade e rigor técnico, eficiência na gestão, transparência nas compras públicas e menor incidência de erros e imprevistos.

Ao analisar alguns dados a importância do BIM se torna ainda mais evidente. Estima-se que aproximadamente 45% do total de plantas de um empreendimento sofrem revisões após emissão do projeto executivo; 23% dos projetos de instalações são incompatíveis com as outras disciplinas quando da entrega final; 88% das plantas sofre algum tipo de adequação das disciplinas de instalações por incompatibilização durante a obra; 26% necessitam de “as built”; 9% de todos os projetos e 26% das instalações geram retrabalho devido incompatibilização de projetos e 6% é o desperdício estimado do total da obra por projetos não compatibilizados. Além disso, há 3,5% perdas na produtividade e 5% de reparos em obras já entregues.

Secretário da ASBRAV, Anderson Rodrigues