Artigo de Opinião: Drª Alessandra Rodrigues, Fisioterapeuta

A fisioterapia preventiva ainda está em processo de reconhecimento dentro das empresas e nas atividades laborais. É uma área da fisioterapia que está em expansão. Ela tem como objetivo desenvolver projetos e atividades laborais como meio de prevenção de lesões relacionadas ao trabalho, bem como, avaliar e traçar objetivos para adequação de postura no trabalho, adequação de mobiliário do local de trabalho, como forma de beneficiar o funcionário, para que possamos diminuir o absenteísmo causado por lesões relacionadas ao trabalho – LER (lesão por esforço repetitivo) e DORT (distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde do trabalhador pode ser comprometida por agentes como ruídos, temperatura, mobiliário e inadequação de iluminação. Independente da ocupação laboral, as operações repetitivas e a pressão emocional podem levar a doenças relacionadas ao trabalho. As lesões por esforço repetitivo e os distúrbios osteomusculares podem acometer sinóvias, músculos, tendões, fáscia e ligamentos, isolados ou associados, com ou sem degeneração de tecido, atingindo principalmente membros superiores, tendo como principal sintoma a dor. Nesse cenário, a dor é definida como sensação desagradável ou penosa, causada por um estado anormal do organismo ou parte dele, sofrimento físico e sofrimento moral. Afirma-se que este sintoma pode influenciar nas condições de trabalho, visto que, indivíduos que estiveram afastados do trabalho por motivos de dor por menos de seis meses possui uma chance de 60% de voltar integralmente a sua função e, os retirados do trabalho pelo mesmo motivo por mais de um ano, tem menos de 10% de chance de voltar.

O termo ergonomia surgiu em 1857 quando o polonês W. Jatzrebowski, publicou um artigo intitulado “Ensaio de Ergonomia”, e quase cem anos depois, em 1949, foi criada na Inglaterra a primeira sociedade nacional de ergonomia, a “Ergonomy Research Society. Em 3 de agosto de 1983, foi criada a “Associação Brasileira de Ergonomia. Assim, a ergonomia tem como objetivo adaptar o homem ao trabalho, ambiente, moveis e instrumentos e a sua postura. A ergonomia é uma ciência interdisciplinar que estuda as adaptações dos instrumentos, condições e ambientes de trabalho às capacidades psicofisiológicas, antropométricas e biomecânicas do homem, objetivando diminuir o cansaço, reduzir acidentes de trabalho e os custos operacionais para aumentar o conforto de trabalho, a produtividade e a rentabilidade. Com isso a fisioterapia tem se preocupado cada vez mais com a saúde do trabalhador, buscando inserir tecnologias e recursos que proporcionem tratamento curativo e preventivo adequados. A atuação do fisioterapeuta na prevenção, resgate e manutenção da saúde do trabalhador, tem enfoque multiprofissional e interdisciplinar, abordando aspectos ergonômicos e biomecânicos, com a presença de exercícios laborais ministrados pelo fisioterapeuta do trabalho.

Os erros mais comuns na ausência da ergonomia são: coluna curvada, sentar na forma que deixe a sua postura mais confortável é um dos primeiros erros identificados, comumente encontramos pessoas sentadas na frente do computador com a coluna lombar e coluna cervical (pescoço) curvados, e ombros projetados para frente, a falta de ergonomia favorece a postura incorreta, causando o comprometimento do sistema osteomuscular (LER/DORT). A forma sugerida para sentar sem causar lesões é manter a lombar apoiada totalmente ao encosto da cadeira, para isso a cadeira deve oferecer sustentação à coluna. Pescoço inclinado para frente, o monitor quando posicionado na altura incorreta, muito alta ou muito baixa, faz com que o pescoço se curve, causando dores da região cervical. Para evitar lesões e corrigir a postura da coluna cervical, o uso de suporte para monitor ou suporte para notebook é a sugestão ideal para corrigir a linha de visão e consequentemente, manterem a cervical na posição correta. Outro erro comum é deixar os cotovelos curvados para baixo, esse gesto mantido ao longo do dia força a região cervical causando dores ao final do turno de trabalho. Geralmente as mesas não têm a profundidade necessária para apoiar os antebraços sobre o tampo, para auxiliar na correção, o apoio para antebraço ergonômico, mantém os cotovelos apoiados corretamente.

Quando a cadeira está ajustada baixa demais, irá comprimir a parte posterior das coxas, próximo as nádegas, dificultando a circulação sanguínea. Quando a cadeira está alta demais também fará a compressão das coxas na altura dos joelhos, como consequência das pernas estarem apoiadas de maneira inadequada, os pés tendem a ficar sem o apoio correto. Os pés devem ficar totalmente apoiados no chão. Se for necessário, faz-se uso de um suporte para corrigir e manter as pernas na posição que não comprometa o sistema osteomuscular da região, além de evitar a fadiga muscular.

Acumular itens em cima da mesa ou embaixo dela, não permitem a aproximação da cadeira à mesa, evitando que se mantenha a postura correta, outro habito comum é realizar as refeições na mesa de trabalho, EVITE! Use do tempo de intervalo para levantar e permitir que os músculos relaxem da posição que se está por horas. E por fim, cuidar o excesso de luminosidade, luz demais pode atrapalhar pois causa reflexo ou sombra no monitor, forçando a visão, a iluminação geral ou complementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.

A fisioterapia do trabalho é a área da fisioterapia que atua na prevenção, resgate e manutenção da saúde do trabalhador. Através de ações que envolvam: ergonomia biomecânica, atividade física laboral e a recuperação de queixas ou desconforto físico, tendo como objetivo melhorar a qualidade de vida do trabalhador, reduzindo os afastamentos ocasionados por doença ocupacionais como LER e DORT. O fisioterapeuta pode atuar através das seguintes ações: prevenção de desconfortos ou queixas musculoesqueléticas nas atividades laborais; estudo ergonômico do trabalho junto à equipe de saúde e segurança do trabalho e intervenções ergonômicas de correção, conscientização ou sensibilização nas empresas; orientações posturais e ergonômicas aos trabalhadores, fora do ambiente de trabalho e nos postos de trabalho durante a execução de suas atividades ocupacionais; avaliação postural e análise biomecânica das tarefas nos postos de trabalho, promovendo adequação do posto e das posturas para um melhor desempenho; desenvolver programas de ginástica laboral; ministrar palestras de conscientização, capacitação e treinamento preventivo de doenças ocupacionais; promover ações terapêuticas preventivas às instalações de processos patológicos que levam a incapacidade funcional do trabalho; analisar os fatores ambientais que contribuem com distúrbios funcionais laborais e desenvolver programas coletivos, que promovam a diminuição dos riscos de acidente de trabalho.

Ginástica Laboral

A ginástica laboral, já mencionada acima, é o conjunto das praticas de exercícios físicos realizados no ambiente de trabalho, com a finalidade de alongar, exercitar e relaxar o trabalhador, deixando o mesmo apto para desempenhar suas funções. A ginástica laboral pode ser ministrada pelos profissionais de Educação Física e FISIOTERAPIA. Sendo um recurso importante para promover ergonomia através da atuação da Fisioterapia do Trabalho.

A ginástica laboral além de promover o bem estar do trabalhador, previne de forma eficaz as doenças ocupacionais, além de poder ser utilizada como ferramenta para gerar a integração e colaboração do ambiente de trabalho. São inúmeros os benefícios proporcionados aos trabalhadores que praticam a ginástica laboral, primeiramente oferece a quebra da rotina de trabalho, diminui o estresse laboral, promove a integração os colaboradores, estimula o alongamento e relaxamento dos músculos, evita o sedentarismo e diminui tensões musculares, aumenta a produtividade, promove o bem-estar e previne lesões, minimizando as possíveis dores das lesões por esforço repetitivo (LER) e, não são apenas os funcionários que colhem os benefícios da pratica da atividade laboral, as empresas também têm inúmeros motivos para adotar essa prática dentro do ambiente de trabalho. Na visão do empresário, a ginástica laboral reduz o número de acidentes de trabalho, incentiva o trabalho em equipe, pois promove a integração de seus funcionários, o colaborador se sente valorizado e mais feliz no ambiente de trabalho, aumenta a produtividade desses colaboradores, e demonstra a preocupação da empresa com a saúde dos seus funcionários.

Existem três tipos de ginástica laboral, a preparatória, que é realizada antes ou nas primeiras horas de trabalho, composta por alongamentos, aumentando a circulação sanguínea, a viscosidade e a lubrificação das articulações e tendões. A compensatória, realizada no meio da jornada de trabalho, como uma pausa, e é praticada para diminuir a fadiga e doenças ocupacionais crônicas. E para finalizar, exercícios de relaxamento, realizados no fim da jornada de trabalho para oxigenar os músculos envolvidos nas tarefas repetitivas feitas ao longo do dia.

Muitas empresas ainda têm receio de que seus colaboradores não queiram aderir a essa prática. É importante utilizar a comunicação interna para educar o seu funcionário e esclarecer a importância que esta metodologia tem na qualidade de vida deles. Vale também utilizar os casos de sucesso de outras empresas, pra exemplificar e justificar a inserção dessa prática na jornada de trabalho, incentivar os lideres a praticarem e darem o exemplo, para incentivarem seus times a colherem os benefícios da Ginástica Laboral e, por fim, procurar sempre por profissionais qualificados, para ministrar com segurança os exercícios adequados para a rotina de trabalho dos seus colaboradores.

Drª Alessandra Rodrigues
Fisioterapeuta
207.436 – F