Revista ASBRAV – Entrevista

A trajetória do empresário Paulo Vellinho, de 90 anos, que comandou a Springer, e é um dos grandes personagens que contribuiu na construção e na solidificação da indústria de condicionador de ar gaúcha e brasileira. Em entrevista a Revista ASBRAV, Paulo falou sobre os principais desafios da carreira, suas paixões e sobre o período em que precisava convencer investidores e a população dos benefícios que seu produto era capaz de proporcionar. Além disso, contou sobre o livro, escrito pelo jornalista Mario de Santi, “Paulo Vellinho – o realizador de um sonho chamado Springer”, que revisitou toda sua carreira.

REVISTA ASBRAV – Qual acredita ter sido o maior desafio de toda sua trajetória?

PAULO VELLINHO – Sonhar com o impossível, enfrentar obstáculos aparentemente intransponíveis e conseguir tornar o sonho em uma empresa internacional.

REVISTA ASBRAV – Quando o senhor começou a perceber que havia espaço para o crescimento do setor da refrigeração?

PAULO VELLINHO – Na verdade, me dei conta em uma viagem para os Estados Unidos da insignificância da Springer frente as mega fábricas americanas, por exemplo, ao visitar uma fábrica de geladeiras que produzia 1.500 unidades mês, enquanto na Springer produzíamos apenas 6.

REVISTA ASBRAV – Como o ar-condicionado começou a se disseminar por todas as camadas sociais?

PAULO VELLINHO – Mexer na cultura do mercado seja qual for o produto requer paciência e perseverança. Lutamos durante dois anos até conseguir derrubar as barreiras e começar a vender, de porta em porta, de empresa em empresa, chegando ao ponto de procurar pessoas que já conheciam o ar condicionado e seus benefícios, como o famoso médico pediatra Dr.
Décio Martins Costa que testemunhou de bom grado os “ fakes” difundidos pelos
“inimigos” da nova tecnologia e seus produtos.

REVISTA ASBRAV – Quais os grandes percalços que o senhor enfrentou para realizar o seu sonho chamado Springer?

PAULO VELLINHO – Eu já tinha visitado fábricas lá fora, enquanto aqui o mercado “dizia sim” ao projeto, consultores internacionais achavam que o nosso ainda não tinha amadurecido, pois consideravam um produto responsável por doenças do aparelho respiratório e cardíaco.
REVISTA ASBRAV – Quais o senhor acredita terem sidos os principais avanços tecnológicos que ocorreram no setor?

PAULO VELLINHO – Redução do tamanho dos aparelhos, seu peso, eficiência energética, nível de ruído e assumir uma posição radical de combate àqueles que teimavam em não reconhecer os benefícios do novo produto.
REVISTA ASBRAV- Como o senhor conseguiu transformar a pequena oficina de refrigeração em uma grande empresa?

PAULO VELLINHO – Ousadia, determinação, coragem e o trabalho extraordinário da equipe da Springer que não temia ousar e que também assumia a responsabilidade de fabricar produtos de qualidade. Estávamos sempre atentos a evolução da tecnologia de processo e de produto e sempre tínhamos em mente o nosso compromisso com os compradores que jamais traímos a sua confiança.
REVISTA ASBRAV – O que motivou a desenvolver o livro? Acreditas que conseguiu realizar tudo que imaginavas?

PAULO VELLINHO – O livro por si só é uma história resumida desta longa caminhada: transformar a pequena fabrica da rua Barros Cassal em uma pujante fabrica de produtos para o lar. O livro é uma síntese de “cases” que achei interessante dispô-los para ajudar jovens, respeitando-os e estimulando-os a romper as barreiras, vencê-las e não temer o erro. Colocar na sua cabeça que a experiência não é a única virtude, pois a inexperiência faz parte da luta pelo sucesso.