Aumento da circulação de fluidos refrigerantes sem garantia de origem põe em risco a qualidade dos alimentos e a saúde do consumidor. Intoxicação alimentar de voluntários durante a Copa do Mundo do Brasil expõe importância da confiabilidade dos sistemas de refrigeração.

São Paulo (SP) – A escolha de fluidos refrigerantes adequados é decisiva para o bom funcionamento dos sistemas de refrigeração voltados à conservação de alimentos, pois destes produtos podem depender o sucesso ou insucesso no controle de temperaturas exigidas na armazenagem e no transporte de perecíveis.
Segundo o gerente de negócios da DuPont Fluorquímicos Brasil, Renato Cesquini, o mercado de alimentos perecíveis cresce continuamente no Brasil, impulsionado pela melhora da renda e a consequente mudança de hábitos da população.
Para Cesquini, ao mesmo tempo que esse cenário traz oportunidades para novos negócios no setor de refrigeração, é importante que as empresas estejam sempre atentas a um conjunto de exigências técnicas capazes de assegurar qualidade e confiabilidade aos procedimentos de armazenagem e transporte de alimentos.
Durante a Copa do Mundo no Brasil, no mês de julho último, quase 40 voluntários do evento sofreram intoxicação após consumir alimentos na capital Brasília. A Vigilância Sanitária Estadual declarou, à época, que entre as possíveis causas estaria o transporte de embalagens com refrigeração inadequada.
“Cada mercadoria exige um ambiente próprio para a conservação da qualidade, e para cada ambiente há um sistema de refrigeração com características específicas, cujo desempenho está atrelado diretamente à escolha do fluido refrigerante”, resume o executivo. “Neste contexto, grande parte das perdas de produtos da cadeia do frio acontecem no processo de transporte”, reforça Cesquini.
De acordo com a pesquisadora Carolina Correa de Carvalho, cerca de 300 milhões de toneladas anuais de produtos da cadeia do frio são perdidos, no mundo, por refrigeração deficiente. As informações constam do trabalho acadêmico Otimização dinâmica da logística de distribuição de produtos alimentícios refrigerados e congelados, apresentado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O uso de fluidos refrigerantes impróprios, acrescenta Cesquini, pode agravar as perdas. Ele ressalta que as empresas que atuam no mercado de conservação, armazenagem e transporte de alimentos perecíveis devem ficar atentas para o “grave aumento” das práticas ilegais envolvendo a comercialização de fluidos refrigerantes.
Já são comuns no Brasil a circulação de compostos sem garantia de origem, além da falsificação e adulteração desses produtos.
“Seduzidos pela oferta de produtos a preços inferiores aos de mercado, muitos usuários de equipamentos de refrigeração têm adquirido fluidos refrigerantes de má qualidade, que prejudicam ou interrompem o funcionamento de equipamentos, obrigando empresas, indústrias e lojas do varejo a contabilizar prejuízos, quando não a interromper atividades temporariamente”, continua o executivo.
Em contrapartida, diz Cesquini, grandes empresas e grupos referenciados estão aumentando seus investimentos na qualidade da refrigeração, como o aeroporto de Viracopos, em Campinas. Com investimento de
R$ 4 milhões, o terminal acaba de inaugurar um complexo frigorífico com 21 mil metros cúbicos, para aprimorar o recebimento a armazenagem de materiais perecíveis importados, de alimentos até produtos químicos e farmacêuticos.
Dicas para a compra segura de fluidos refrigerantes
• Certifique-se de que o produto é adequado à aplicação que se pretende fazer;
• Confira no rótulo:
– nome ou marca;
– origem (nacional ou importado);
– características;
– composição;
– razão social, endereço, telefone e CNPJ do fabricante; número do lote e peso líquido;
• Verifique se há avarias e vazamentos nos cilindros e/ou danos no lacre e nas etiquetas;
• Desconfie de produtos vendidos a preços muito baixos. Esse pode ser um indício de que se trata de um produto de baixa qualidade ou adulterado;
• Fique atento também à carga de produto indicada na embalagem e o seu peso real. Muitas vezes o que está registrado no rótulo não corresponde à real quantidade de fluido refrigerante dentro do cilindro;
• Procure apenas fornecedores idôneos e de tradição no mercado, e exija a documentação pertinente ao produto adquirido.