Especialista aponta tendência de aumento no emprego de fluidos refrigerantes ambientalmente aceitos nos empreendimentos comerciais

Formadores de opinião e especialistas do mercado imobiliário nacional têm afirmado que é crescente a preocupação com as questões ambientais no setor. Segundo uma reportagem recente do jornal Valor Econômico, essa postura dos incorporadores e construtores refletiu no aumento de 40% do número de empreendimentos em busca do selo LEED – Leadership in Energy and Environmental Design.
Atualmente, mais de 100 edifícios comerciais contam com o selo LEED – mais conhecida certificação ambiental do mercado imobiliário -, enquanto outros quase 700 passam por processos de avaliação para recebê-lo.
Os termos atuais da LEED determinam que ao integrar fluidos refrigerantes ambientalmente aceitos e com baixo potencial de aquecimento global – GWP – ao sistema de climatização de um edifício, o empreendedor poderá receber crédito adicional na pontuação que determinará, ou não, a concessão da certificação. Fluidos com essas caraterísticas também agregam eficiência energética aos imóveis. Já o uso de CFCs ou clorofluorcarbonos nos sistemas automaticamente elimina a possibilidade de conquista da LEED.
Fluidos refrigerantes CFCs tiveram sua importação e comercialização descontinuada no Brasil a partir do final da década de 1990, quando a ciência descobriu que esses compostos contribuíam para a degradação da camada de ozônio. À época, os fluidos HCFCS – hidroclorofluorcarbonos -, foram utilizados em muitas aplicações como alternativos aos CFCs devido a seu menor potencial de degradação.
Os HCFCs, por sua vez, começaram a ser substituídos há alguns anos pelos HFCs ou hidrofluorcarbonos. Estes, isentos de cloro em sua composição, não degradam a camada de ozônio.
“Nos dias de hoje as empresas que projetam os empreendimentos têm olhado para três questões relacionadas ao uso de fluidos refrigerantes – ataque a camada de ozônio, eficiência energética e aquecimento global”, explica Manoel Gameiro, vice-presidente de Eficiência Energética da Abrava – Associação Brasileira das Empresas de Refrigeração, Ventilação e Aquecimento – e executivo da Trane/Ingersoll Rand, um dos maiores do mundo do setor de refrigeração, com faturamento de US$ 13 bilhões.
“O grande desafio agora é desenvolver projetos que utilizem menor carga de fluidos refrigerantes e com melhor eficiência energética”, acrescenta Gameiro. “De toda maneira, a certificação LEED contribui positivamente pelo fato de restringir o CFC em prédios já existentes, isso é muito importante”, continua ele.
De acordo com o diretor de negócios da DuPont para a América Latina, Maurício Xavier, os HFCs constituem hoje a mais aceita tecnologia de fluidos refrigerantes para a preservação da camada de ozônio. A companhia americana, líder global do mercado de fluidos refrigerantes, comercializa no Brasil a linha ISCEON®, que permite a substituição dos fluidos refrigerantes HCFCs nos equipamentos já existentes, com alterações mínimas para a maioria das aplicações.
Segundo o executivo, a DuPont já realizou no Brasil diversas operações de Retrofit em edificações, substituindo os fluidos refrigerantes HCFCs por um dos fluidos da linha ISCEON®, que não degradam a camada de ozônio. O Retrofit, além de adequar os empreendimentos à legislação derivada do Protocolo de Montreal, contribui para a melhor pontuação de edifícios corporativos e residenciais na busca por certificações ambientais.