Mesmo com grandes índices de radiação solar, país não aproveita o potencial que existe nessa modalidade
Com uma localização geográfica privilegiada, o Brasil tem se mostrado como um país em potencial para desenvolver a energia solar. No entanto, segundo a ASBRAV – Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação essa capacidade está distante do ideal em termos de aproveitamento. O país ocupa apenas a 10ª colocação do ranking de nações que mais utilizam a tecnologia, produzindo cerca de 1% de energia a partir de sistemas solares. Dados como este provam a necessidade de serem criadas iniciativas para expandir esta alternativa.
– Potencial existe. Temos uma insolação fantástica que poucos países têm. Vejo que muitas pessoas estão procurando esse tipo de energia por ser mais limpa e por não agredir o meio ambiente – comenta o administrador da Mantovani Materiais de Construção Silvio Luiz Mantovani.
Apesar de programas habitacionais como Minha Casa Minha Vida adotarem a utilização de placas para aquecimento solar, a popularização desta tecnologia caminha vagarosamente no país. Ainda de acordo com informações do Bridges to Brazil, entre 1 milhão de sistemas de aquecimento solar instalados, 66% estão em residências.
Por outro lado, muito tem se falado das vantagens que ela apresenta. O diretor técnico da ASBRAV, Ricardo Vaz de Souza, afirma que uma das principais vantagens desta tecnologia é ser uma alternativa renovável e gratuita.
– Em termos de eficiência, o sistema à vácuo é o mais indicado, porém, é uma opção de alto custo. Para as residências, a utilização das placas é perfeita para aquecer a água da cozinha e do banho – explica Souza.
Além das vantagens apresentadas, a energia solar também representa economicidade no consumo de energia elétrica. Com custo menor que 1% do valor total de uma obra, a instalação de um sistema de energia solar térmica, usada para aquecer água, proporciona economia direta ao consumidor sem deixar de lado o conforto e bem-estar. Além de colaborar para racionalização, a energia solar térmica tem um custo de R$ 0,13 / kWh contra o de energia elétrica que é de R$ 0,39 / kWh, uma proporção de 1 para 3. Este cenário abre espaço para o mercado sustentável diante da crise energética.
No entanto, o diretor técnico da ASBRAV reforça a necessidade de combinar a tecnologia solar com outro tipo de energia (elétrica ou a gás) já que há uma dependência de fatores climáticos externos.
Quem tiver interesse em instalar o sistema de aquecimento solar em sua residência deve procurar um profissional para a elaboração de um projeto, sendo este repassado à uma empresa que analisará a demanda necessária. O empresário Mantovani explica que o produto mais indicado é a placa solar com reservatório de água quente.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê um potencial de 2 GW de potência instalada com essa modalidade de geração distribuída. Outra estimativa de mais longo prazo, elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que até 2050 cerca de 13% do abastecimento das residências no país deve ser proveniente dessa fonte.