Curso promovido pela ASBRAV e GBC Brasil trouxe a especialista Luiza Junqueira para falar sobre o universo dos Green Buildings

A Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV) foi palco, na sexta-feira (22/05) do primeiro dia de atividades do curso Como se Tornar um LEED GA (Green Associate), iniciativa realizada em parceria com a Green Building Council Brasil (GBC Brasil), e que se estende até sábado (23/05). Ministrado pela arquiteta e urbanista Luiza Junqueira, o curso proporciona a introdução ao universo dos Green Buildings e aos princípios da construção sustentável, especificamente relacionados a certificação LEED. Os alunos aprendem sobre os diferentes referenciais LEED e os principais conceitos associados a cada um deles.

A certificação LEED Green Associate é direcionada para quem está iniciando a carreira na área de Construções Sustentáveis. Trata-se de um nível introdutório da credencial LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), demonstrando que o profissional possui um conhecimento geral dos conceitos avaliados durante o processo de construção do empreendimento em busca da certificação internacional, utilizada em 143 países, com o intuito de incentivar a transformação dos projetos, obra e operação das edificações, sempre com foco na sustentabilidade de suas atuações.

Além de mostrar uma visão global de sustentabilidade e do processo de desenvolvimento de projeto integrado, Luiza Junqueira destacou, também, que o aumento perceptível da importância dada a construção sustentável nos últimos anos e o crescimento constante de empreendimentos que buscam a Certificação LEED no Brasil, que o incluem na lista dos Top 5 em número de registros e certificações, exigem proporcionalmente o ingresso no mercado de cada vez mais profissionais capacitados a atender esta demanda.

– As certificações LEED GA e LEED AP demandam que o profissional comprove suas competências através de horas técnicas que devem ser renovadas a cada dois anos. Este sistema obriga que o profissional esteja sempre se reciclando, adquirindo novos conhecimentos e/ou atuando na área para que possa carregar o mérito de sua acreditação profissional, pois não há conhecimento adquirido que se não posto em prática perdure no tempo o suficiente para o indivíduo carregar para sempre o mérito do certificado – falou a professora.

Luiza ainda enfatizou que o Brasil demanda cada vez mais profissionais qualificados atuando no setor da construção civil. É preciso conhecer e saber aplicar os conceitos de sustentabilidade, hoje uma necessidade real e presente.

– Neste sentido as acreditações profissionais contribuem para que a régua de qualidade do mercado cresça cada vez mais. Sou defensora da disseminação de uma educação de qualidade e da proliferação de profissionais capacitados no mercado, e quando falo mercado é em toda a cadeia – projetistas, construtoras, fabricantes, entre outros. Há lugar e demanda para todos, e somente assim conseguiremos atingir níveis cada vez mais elevados de qualidade do ambiente construído, além de garantir, é claro, retorno financeiro e respeito à sociedade e ao meio ambiente – ressaltou Luiza Junqueira.

O coordenador de Operações Comerciais da GBC Brasil, Bruno Justo, definiu como fundamental a parceria de longa data existente com a ASBRAV, ressaltando que os Green Buildings representam uma contribuição expressiva para a redução do consumo dos recursos naturais, tanto na construção como na operação dos edifícios.

– Nós cremos na importância da parceria entre a GBC e a ASBRAV como ferramenta para divulgar as práticas sustentáveis na construção civil, além de proporcionar a troca de informações entre os fornecedores e consultores atuais sobre novas tecnologias e novas possibilidades para a área – afirmou Bruno Justo.

Justo ainda destaca que uma construção sustentável custa menos do que se imagina. Para tanto, recomenda o uso de estratégias que vão desde o uso racional de água até a utilização de materiais de baixo impacto. A GBC atua diversas maneiras para incentivar, conscientizar e desenvolver a construção sustentável.

– O custo adicional de uma construção sustentável varia de 1% a 7% do valor gasto na construção, porém temos uma redução de 9% do custo operacional. Mas ainda podemos somar ganhos econômicos relacionados à valorização do empreendimento, ao aumento da velocidade de ocupação, da retenção nas edificações, diminuindo o risco do investimento e aumento de produtividade dos usuários – concluiu.

O 1º vice-presidente da ASBRAV, Eduardo Müller, reforço a necessidade de se investir, cada vez mais, em construções sustentáveis. Segundo ele, a realização de eventos como o curso LEED GA é uma ação que incentiva a proliferação desta ideia.

– O curso que realizamos hoje e amanhã é o primeiro de uma série que pretendemos desenvolver em parceria com a GBC Brasil. Ainda em 2015 deveremos realizar outros dois eventos de capacitação, reforçando a tradição da ASBRAV em ofertar qualificação profissional, referendada pelos mais de quatro mil profissionais que participaram de nossos cursos e treinamentos ao longo dos últimos anos – enfatizou Eduardo Müller.
Edificações verdes

Em tempos de debates relacionados ao meio ambiente, o Brasil segue a tendência mundial de desenvolvimento tecnológico em busca de produtos que tenham foco em construções sustentáveis, com melhor custo-benefício e eficiência térmica/energética.

Até o segundo trimestre de 2015, o Brasil contabiliza 966 edificações registradas. São 5% a mais de registros comparados ao mesmo período de 2014. Desse total, 235 já receberam a certificação. O ano de 2014 foi fechado com 135 empreendimentos registrados e 82 certificados. Foram 7 certificações por mês e um projeto registrado a cada dois dias úteis do ano.
Hoje as edificações verdes já acompanham o fluxo de lançamento de edificações comerciais corporativos, ou seja, havendo lançamento existirá projeto registrado.
Dentre as principais razões econômicas podem ser citadas o aumento da velocidade de ocupação, aumento da retenção, diminuição de eventuais riscos jurídicos e mercadológicos, além da diminuição dos custos operacionais.